Operações contra o garimpo ilegal destruíram estruturas e causaram prejuízo bilionário

NO AMAZONAS



g1

As operações contra o garimpo ilegal e a comercialização clandestina de ouro feitas pela Polícia Federal no Amazonas em 2025 resultaram na destruição de mais de 375 dragas, balsas e outras estruturas de mineração usadas por garimpeiros no estado e prejuízos estimados que somam R$ 1,408 bilhão apenas nas operações com valores oficialmente divulgados, segundo dados obtidos com exclusividade pelo g1.

Garimpo ilegal é a extração de minérios sem autorização do Estado, feita em áreas proibidas. A atividade ocorre principalmente na Amazônia, dentro de terras indígenas e unidades de conservação. Ela provoca destruição ambiental, contamina rios com mercúrio e ameaça comunidades tradicionais.

O número exato de operações não foi divulgado. As ações, realizadas em rios federais, unidades de conservação e terras indígenas — inclusive em áreas com povos isolados — tiveram como objetivo reduzir de forma estrutural a rentabilidade dessa atividade criminosa, atingindo diretamente o núcleo financeiro das organizações envolvidas.

Além da destruição de equipamentos, a PF avançou sobre a cadeia financeira do ouro ilegal. Foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão, além do bloqueio de mais de R$ 74 milhões em ativos, atingindo grupos estruturados para exploração, lavagem e comercialização do minério.

"Durante todo o ano de 2025, houve diversas operações neste sentido. Isso nos leva a conclusão de que o garimpo ilegal deixa de ser uma prática criminosa isolada e ganha contornos das grandes organizações criminosas, que trazem prejuízos a ambientais, sociais e aos direitos humanos", explicou o delegado e chefe da Delegacia de Meio Ambiente da Polícia Federal no Amazonas, em exercício, Jonathas Simas.

De acordo com a PF, as operações também revelaram graves violações de direitos humanos. Trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão, evidenciando que o garimpo ilegal não se limita a crimes ambientais, mas envolve exploração humana, usurpação de bens da União e lavagem de dinheiro. A atuação contou com apoio de órgãos como:

* Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama)
* Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)
* Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai)
* Ministério Público do Trabalho (MPT)
* Forças Armadas

Dragas destruídas na operação Boiúna contra o garimpo ilegal no sul do Amazonas — Foto: Divulgação/PF
Dragas destruídas na operação Boiúna contra o garimpo ilegal no sul do Amazonas | Foto: Divulgação/PF

Relembre as principais operações contra o garimpo ilegal no estado em 2025

Operação Mineração Obscura 2 - Fevereiro: Agentes federais encontraram trabalhadores submetidos a condições degradantes em um garimpo em Maués, no interior do estado. O grupo foi resgatado e encaminhado para atendimento, evidenciando que o garimpo ilegal não se limita a crimes ambientais, mas também envolve exploração humana e violações de direitos fundamentais. 

Operação Kampô - Julho: A Polícia Federal realizou uma ação que percorreu três rios em Jutái. Durante a operação, foram encontradas e destruídas 16 dragas de garimpo ilegal, estruturas usadas para extração clandestina de ouro. A ofensiva reforçou a presença do Estado em áreas remotas e mostrou que a fiscalização alcança regiões de difícil acesso.

Operação Boiúna - Setembro: Uma das maiores operações do ano ocorreu em setembro, quando a PF anunciou a destruição de mais de 270 dragas em diferentes pontos de Humaitá e Manicoré. A ação teve caráter ostensivo e representou um duro golpe contra a logística do garimpo ilegal, atingindo diretamente a capacidade de exploração em larga escala.

Operação Fronteira Dourada - Novembro: Em novembro, a Polícia Federal atuou em parceria com a polícia da Colômbia em uma operação na região de fronteira da Amazônia. Foram destruídas 14 dragas de garimpo ilegal, mostrando que o problema ultrapassa fronteiras e exige cooperação internacional para conter a exploração clandestina de recursos minerais.

Operação Hekurawetaris III - Novembro: Também em novembro, a Polícia Federal realizou uma operação de três dias contra o garimpo ilegal em rios do Amazonas. Durante a ação, os agentes localizaram e destruíram 10 dragas utilizadas na extração clandestina de ouro. O trabalho foi acompanhado por imagens divulgadas pela corporação, que mostraram o impacto direto da ofensiva sobre a infraestrutura do garimpo.

Segundo a PF, a operação reforçou a estratégia de descapitalizar o crime organizado, atingindo não apenas os equipamentos, mas também a logística de exploração em áreas remotas.

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