Operação da Polícia Civil do DF desmantelará rede de fabricação e distribuição de anabolizantes em múltiplos estados

Polícia Civil deflagra operação contra esquema que produzia e distribuía anabolizantes adulterados em diversos estados do país



A Polícia Civil do Distrito Federal iniciou, na manhã de quarta-feira, uma grande operação destinada a desarticular uma organização criminosa especializada na produção e comercialização de anabolizantes, medicamentos controlados e termogênicos fraudulentos espalhados por diferentes regiões brasileiras.

Suspeitos de fabricar e distribuir anabolizantes são alvos da polícia do DF

Os policiais estão executando 45 mandados de prisão preventiva e 50 de busca e apreensão simultâneas, além de realizar o bloqueio de R$ 32 milhões em bens dos investigados. A operação também resultará na apreensão de 11 veículos de luxo, no fechamento de 13 estabelecimentos comerciais e na desativação de 22 contas em plataformas digitais utilizadas para a comercialização dos produtos ilegais.

Entre os principais investigadores encontram-se Roberto Carlos Pereira de Carvalho, conhecido como Jiraiya e identificado como coordenador geral da organização, a influenciadora Ana Luiza de Nazaré Lima e o empresário Alam Manoel Lima.

As investigações tiveram origem após operações de busca realizadas na residência de um dos chefes de uma célula criminosa. Durante a revista, os agentes apreenderam um aparelho celular contendo registros de comunicações que detalhavam os crimes perpetrados e mapeavam os diferentes núcleos operacionais da organização.

Conforme os relatos policiais, os anabolizantes eram manufaturados de maneira artesanal, utilizando hormônios sintéticos, substâncias diuréticas e estimulantes de qualidade questionável. A operação revelou que profissionais da medicina veterinária colaboravam ativamente, fornecendo receituários fraudulentos para a aquisição de fármacos de uso restrito em estabelecimentos destinados ao comércio agropecuário.

Para conferir maior aparência de legitimidade aos produtos comercializados, a rede criminosa utilizava rótulos impressos em idiomas estrangeiros e símbolos de nações internacionais. De acordo com a Polícia Civil, nutricionistas e preparadores físicos integravam o esquema, recomendando ativamente essas substâncias aos seus clientes.

Estrutura operacional por região geográfica

A investigação revelou que o grupo mantinha estrutura descentralizada, com operações específicas em cada localidade:

  • No Distrito Federal, funcionavam as principais unidades de manufatura e armazenagem, academias utilizadas para divulgação das substâncias e uma gráfica responsável pela impressão das embalagens fraudulentas;
  • Em Goiás, existiam depósitos para recebimento de insumos, uma farmácia de manipulação integrada ao esquema e infraestrutura para movimentação de recursos financeiros;
  • Na Paraíba, funcionava um laboratório satélite operado a partir de uma propriedade alugada e de uma casa de padrão elevado localizada na orla marítima, contando com suporte de parentes e de um colaborador regional encarregado do recebimento de matérias-primas importadas via serviços postais;
  • No Paraná, um fornecedor fronteiriço e seu cônjuge coordenavam a distribuição das substâncias entre estados.

A rede de distribuição se estendia igualmente ao Acre e a Minas Gerais, garantindo a circulação permanente das substâncias contrabandeadas pelo território nacional.

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