ONU prevê El Niño muito intenso até fevereiro de 2027 com 100% de certeza

Organização Meteorológica Mundial alerta que fenômeno chegará ao pico em dezembro com anomalia de até 3,9°C no Pacífico



A Organização Meteorológica Mundial (OMM), órgão meteorológico e climático da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgou nova atualização sobre o El Niño indicando que o fenômeno continuará se intensificando nos próximos meses e atingirá intensidade muito forte antes de alcançar seu pico no fim de 2026.

O que é o El Niño e como ele pode afetar o seu dia a dia

O destaque principal da previsão é o grau de confiança extraordinário. Os modelos compilados pela agência apontam uma probabilidade próxima a 100% de manutenção do El Niño tanto entre setembro e novembro quanto entre dezembro e fevereiro de 2027.

Conforme a OMM, a probabilidade de condições climáticas neutras nesse período é praticamente nula, e não há indicativos de retorno da La Niña.

Contexto: O El Niño e a La Niña representam as duas fases do fenômeno climático denominado ENOS (El Niño-Oscilação Sul). O El Niño caracteriza-se pelo aquecimento superior ou igual a 0,5°C das águas do Oceano Pacífico equatorial.

O cenário é fundamentado em um aquecimento acentuado do Oceano Pacífico e por transformações atmosféricas compatíveis com um El Niño cada vez mais vigoroso.

A projeção é que o fenômeno continue afetando as temperaturas e as precipitações em diversas regiões do planeta durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul.

Ressalva importante: A OMM destaca que a intensidade do El Niño, isoladamente, não permite prever com precisão o tamanho dos impactos em uma determinada localidade, país ou região.

Outros fatores, como as condições dos oceanos Atlântico e Índico, também podem amplificar ou atenuar seus efeitos regionais.

Nos meses vindouros, a organização também antecipa o surgimento de uma fase positiva do Dipolo do Oceano Índico, além da persistência de águas mais aquecidas que o normal no Atlântico Equatorial, características que podem alterar a resposta convencional ao El Niño.

Consequentemente, mesmo regiões que historicamente recebem maiores ou menores volumes de chuva durante episódios intensos podem apresentar variações significativas de um evento para outro.

"Já estamos presenciando transtornos e destruição causados por secas e inundações, e esperamos que esses impactos se ampliem conforme o El Niño se intensifica", afirmou Celeste Saulo, secretária-geral da OMM.

Pacífico em aquecimento acelerado

Um dos principais indicadores do fortalecimento está na denominada região Niño 3.4, uma faixa do Pacífico Equatorial utilizada por pesquisadores para monitorar a evolução do El Niño.

Em maio, a temperatura da superfície marinha nessa área estava aproximadamente 0,9°C acima da média. Em julho, o desvio já havia atingido 2°C.

Posteriormente, medições semanais entre final de julho e meados de agosto registraram valores em torno de 2,2°C a 2,6°C acima do normal, evidenciando que o aquecimento prosseguiu intensificando-se.

O calor não se limita à superfície. De acordo com a OMM, em determinadas áreas do Pacífico, a água em subsuperfície alcançou valores superiores a 8°C acima da média em julho e no início de agosto.

Esse reservatório de água excepcionalmente aquecida constitui um fator adicional que propicia a permanência e o robustecimento do El Niño nos próximos meses.

INFORMAÇÕES ESSENCIAIS SOBRE O EL NIÑO:

Os modelos climáticos compilados pela organização sugerem que a anomalia média da região Niño 3.4 pode atingir em torno de 3,6°C entre setembro e novembro, com o fortalecimento atingindo sua máxima intensidade entre novembro e dezembro.

A projeção isolada para novembro chega a 3,9°C acima da média, embora este valor represente uma estimativa dos modelos e contenha margem de incerteza.

Esclarecimento: Uma anomalia de 3,6°C não significa que todo o Oceano Pacífico ficará 3,6°C mais quente nem que a temperatura do ar aumentará na mesma proporção. O número exprime quanto a temperatura da superfície marinha em uma zona específica do Pacífico pode se elevar acima de sua média histórica.

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Aumento de calor em amplas áreas do planeta

Para além da atualização específica do El Niño, a OMM divulgou uma projeção climática referente ao período de setembro a novembro de 2026.

Os modelos indicam maior possibilidade de temperaturas superiores ao normal em praticamente todas as grandes regiões continentais, com sinais particularmente robustos em segmentos da África, América do Sul, Oceania e Ásia.

Na América do Sul, o sinal de aquecimento é mais pronunciado principalmente entre o Equador e os 30° de latitude sul, faixa que abarca uma parcela substancial do continente. Nas latitudes mais elevadas, a previsão torna-se menos coesa.

As precipitações devem seguir um padrão bastante variado de uma região para outra.

No continente sul-americano, os modelos demonstram maior probabilidade de volumes abaixo da média no noroeste e nas áreas setentrionais, simultaneamente indicando uma faixa com maior possibilidade de precipitação acima do normal no sudeste da América do Sul.

Esta configuração é congruente com uma das manifestações mais características do El Niño: o fenômeno modifica a dinâmica da atmosfera e pode deslocar as trajetórias de precipitação, tornando uma região mais úmida enquanto outra vivencia condições mais áridas.

Compreendendo o El Niño e sua relevância global

O El Niño compreende um aquecimento extraordinário das águas do Oceano Pacífico na zona próxima à linha do Equador.

Integra um ciclo natural do clima que alterna períodos quentes (El Niño), frios (La Niña) e neutros — provocando consequências em múltiplas regiões terrestres.

Este aquecimento transforma a dinâmica da atmosfera e modifica o padrão de precipitações e temperaturas em diferentes territórios mundiais.

No Brasil, os efeitos costumam ser heterogêneos: a Região Sul tende a receber mais precipitação, enquanto áreas do Norte e Nordeste podem enfrentar períodos de estiagem.

O fenômeno também impacta a temperatura global. Em anos de El Niño mais vigoroso, o planeta usualmente documenta calor acima da média, complementando o aquecimento planetário.

A magnitude varia conforme o evento, assim como os impactos resultantes. E, com o planeta já mais aquecido, até episódios de moderação podem gerar efeitos mais intensos que no passado.

Possíveis consequências para o Brasil

Historicamente, o El Niño reorganiza o regime pluviométrico e térmico do país, provocando:

• Intensificação de precipitações na Região Sul, com maior risco de fenômenos severos;

• Diminuição de chuvas no Norte e em porções do Nordeste;

• Maior variabilidade nas precipitações no Sudeste e Centro-Oeste;

• Elevação na frequência de períodos de calor intenso.

Segundo pesquisadores, um dos principais efeitos previstos é a extensão de períodos prolongados de temperatura elevada, particularmente na estação primaveril e estival.

Apesar da alternância entre La Niña, neutralidade climática e El Niño, especialistas enfatizam que o aquecimento global permanece como o principal motor das transformações climáticas.

Com os oceanos já mais aquecidos que suas médias históricas, a expectativa é de que os próximos meses continuem registrando temperaturas elevadas em várias regiões do globo.

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