Nunes confronta Haddad nos bastidores após debate por menção a contrato de wi-fi municipal

Prefeito de São Paulo discute com candidato petista após ser citado em denúncias de desvio em acordo público durante transmissão da Band



O prefeito Ricardo Nunes (MDB) entrou em confronto com o candidato Fernando Haddad (PT) logo após o encerramento do debate transmitido pela TV Bandeirantes na noite deste domingo (9), reação provocada por menções feitas pelo petista durante as considerações finais do programa.

Haddad cita Nunes em debate com Tarcísio e gera bate boca nos bastidores em SP

Durante suas observações finais, Haddad ironizou a colaboração entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Nunes, afirmando que a administração municipal contraiu uma dívida superior a R$ 50 bilhões e enfrenta "questões relacionadas a corrupção envolvendo o contrato de fornecimento de wi-fi da cidade, que requer esclarecimentos".

Em sua fala direcionada a Tarcísio, Haddad mencionou: "Esse que você chama de melhor prefeito de São Paulo realmente é notável. Com R$ 80 bilhões disponíveis após eliminar a dívida, o gestor já endividou a cidade em R$ 50 bilhões e ainda há o contrato de Wi-Fi que poderia ter recursos desviados para o PCC, e ainda há o filme do Bolsonaro. Proceda com moderação, tenha cautela, não exagere no discurso, pois não o desrespeito e gostaria de receber o mesmo tratamento em nossos próximos encontros", disse o candidato petista ao governador.

Momentos após o encerramento da transmissão, Nunes se aproximou de Haddad para uma confrontação. O advogado Marco Aurélio de Carvalho, integrante do Grupo Prerrogativas, interveio separando os dois para impedir um possível enfrentamento direto.

Abordado pela reportagem durante o momento tenso, Nunes manifestava-se notavelmente irritado com a menção ao contrato municipal de conectividade. "Eu tentei transmitir a ele a importância da responsabilidade e conduta adequada. Não há absolutamente nada questionável em minha atuação nesse aspecto. Essa é a postura de alguém que, quando buscou sua reeleição como candidato, conquistou apenas 16% dos votos. Foi derrotado até por votos em branco e nulos", declarou o prefeito.

Continuando sua resposta, Nunes afirmou: "É uma pessoa que está distorcendo a verdade e isso é altamente prejudicial para quem aspira ser candidato, não transmitir fatos precisos para a população".

O gestor também se manifestou posteriormente, ressaltando sua indignação: "Procurei deixar claro que não é apropriado ele conectar minha gestão à questão do contrato de wi-fi. Orientei-o sobre não fazer isso comigo pois não existe nada inadequado de minha parte. 'Você me conhece e é relevante que mantenhamos essa postura'. Acredito que o debate deve ocorrer, com cada candidato defendendo suas posições. Porém, partir para acusações... Ele sequer tem o direito de ser desonesto e irresponsável", completou Nunes.

Antes da conclusão do programa, Tarcísio havia expressado aprovação pela gestão de Nunes na capital paulista, descrevendo-o como "o maior prefeito da história" de São Paulo e enfatizando a colaboração exitosa entre as duas administrações.

Ao deixar o local do debate, Haddad adotou um tom conciliador, argumentando que reações apaixonadas são comuns em eventos eleitorais. "Considero isso normal em um debate. A questão sobre irregularidades foi levantada por Tarcísio. Minha resposta foi que há desonestidade em múltiplos setores. Na pasta de Finanças ocorrem desfalques, no Comando da Corporação Militar há penetração da facção criminosa, representando desonestidade. Mencionei também a administração municipal de São Paulo, que igualmente enfrenta situações semelhantes. Porém está oferecendo explicações. Desejo que continue esclarecendo. É algo esperado", afirmou o candidato petista.

Concernente aos indicadores de apropriação indevida no contrato de infraestrutura de conectividade pública, Haddad pontuou que o acordo "parece suspeito" e demanda investigação aprofundada. "Não sou eu quem julga se existe ou não desonestidade no wi-fi. Isso está sob investigação. Parece inadequado... contudo nem tudo que parece inadequado... É viável que obtenha explicação. Porém que é estranho é", retrucou.

O principal motivo da frustração do prefeito relaciona-se ao fato de Haddad ter feito referência às investigações acerca de possíveis desvios financeiros no contrato de wi-fi municipal, processo que está sendo conduzido pelo Ministério Público paulista e pela corporação policial estadual.

A investigação principal concentra-se na possibilidade de que porções do financiamento destinado ao programa de instalação de hotspots públicos na zona periférica da metrópole tenham sido transferidas ilicitamente para custear a cinematografia Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Segundo as reportagens veiculadas pelo g1, a investigação tem foco no Instituto Conhecer Brasil (ICB), instituição administrada pela executiva e comunicadora Karina Ferreira da Gama, que também detém participação acionária na Go Up Entertainment, companhia cinematográfica responsável pela produção da obra Dark Horse sobre o político conservador.

O ICB assinou, no mês de junho de 2024, um acordo avaliado em R$ 108 milhões com a administração municipal para implementar, gerenciar e operar 5 mil estações de conectividade sem custo em bairros periféricos paulistas.

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"Conversei com ele explicando que não é adequado associar minha administração à questão do contrato de infraestrutura de conectividade. Informei que não deverá fazer isso comigo pois não há nada impróprio na minha gestão. 'Você tem conhecimento de mim e é fundamental manter essa postura'. Reconheço que a disputa eleitoral deve acontecer, cada lado apresentará suas propostas. Contudo, recorrer a difamações... Ele não deveria ser falso e negligente", reiterou o prefeito.

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