- Pela Redação
- 29/05/2023
Semanas antes de estrangular seus três filhos em janeiro de 2023, a americana Lindsay Clancy realizou diversas pesquisas na internet sobre alucinações, psicose e os efeitos colaterais de medicamentos que estava tomando. A informação surgiu durante análise de seu celular, apresentada em audiência recente no julgamento por assassinato da ex-enfermeira obstétrica.
Registros digitais mostram que no final de dezembro de 2022, Clancy buscou informações sobre métodos de suicídio, transtorno bipolar e insônia. Durante janeiro, passou a pesquisar sobre depressão pós-parto. Em outubro anterior, ela havia redigido uma nota detalhada expressando incertezas sobre sua capacidade materna, questionando sua decisão de cessar a amamentação do filho mais novo, que tinha 8 meses na época, e repensando planos do casal quanto a futuras gestações.
A defesa da acusada argumenta que a profissional de saúde de 36 anos agia sob influência de transtorno bipolar e psicose pós-parto — uma condição incomum capaz de distorcer a percepção da realidade em mulheres no período pós-natal. Um especialista em psiquiatria forense diagnosticou Clancy com essas duas condições subsequentemente aos crimes.
Na correspondência encontrada, ela demonstrava especialmente preocupação em fornecer ao filho mais jovem a mesma dedicação dispensada aos dois mais velhos, de 3 e 5 anos, e relata sentir-se exaurida pela sobrecarga de informações sobre maternidade a que tinha acesso continuamente.
Clancy nega responsabilidade pelas mortes das crianças Callan, Dawson e Cora. O genitor encontrou os menores no porão da residência familiar localizada em Duxbury, próximo a Boston. A genitora foi descoberta no quintal após lançar-se pela janela do segundo pavimento, resultando em paraplegia em decorrência do impacto.
Comunicações trocadas entre Lindsay e seu marido na ocasião, Patrick Clancy, revelam o casal enfrentando desafios cotidianos da paternidade no momento do incidente, incluindo instância onde ele manifestou admiração por suas capacidades maternas e ela respondeu com símbolos emotivos. O especialista da Polícia Estadual de Massachusetts, Tim Chiappini, apresentou essas correspondências durante as audiências, que têm sido transmitidas publicamente e conquistado considerável interesse popular, com profissionais de mídia e observadores preenchendo o recinto judicial.
Os representantes legais de Clancy não refutam que ela ocasionou as mortes das crianças, mas sustentam que a corte não deve atribuir-lhe culpabilidade criminal, alegando que operava sob condição psiquiátrica severa e acreditava receber mensagens sonoras ordenando o falecimento dos filhos e o seu próprio.
A acusação, por outro lado, sustenta a existência de premeditação deliberada: conforme argumentam os promotores, Clancy teria arquitetado circunstâncias para remover o esposo da residência — solicitando que adquirisse alimentos e visitasse a farmácia em 24 de janeiro de 2023 — antecedendo o estrangulamento das crianças com cintos de exercício. O representante do ministério público pediu ao corpo de jurados que não transformasse o caso em debate geral sobre saúde mental feminina.
Caso condenada por homicídio, Clancy enfrenta possibilidade de cadeia perpétua sem possibilidade de libertação condicional. Se declarada irresponsável criminalmente devido à doença mental, seria encaminhada a instituição de saúde mental estadual.
Segundo a família e sua equipe jurídica, ao invés de apresentar melhoras, seu estado clínico deteriorou-se com a combinação de medicamentos psiquiátricos receitados — alguns deles reconhecidamente problemáticos para indivíduos com transtorno bipolar.
A acusação, inversamente, procura demonstrar que Clancy desfrutava de extenso acesso a serviços de saúde mental, porém negligenciou orientações profissionais e descontinuou certas medicações por iniciativa própria.
Diversos profissionais que a acompanharam prestaram depoimento e confirmaram que ela jamais mencionou estratégia específica para prejudicar a si mesma ou aos descendentes, nem exibiu manifestações de transtorno psicótico ou exaltação emocional — conquanto tenha compartilhado ideações suicidas.
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