Irã e EUA intensificam confronto militar enquanto disputam controle do Estreito de Ormuz

Troca de ataques entre potências eleva preços do petróleo e ameaça abastecimento global de energia



Tensões militares entre Irã e Estados Unidos escalaram significativamente nesta terça-feira, com disparos de mísseis balísticos iranianos contra instalações americanas na Jordânia seguidos de retaliações dos EUA que se estenderam por cinco horas consecutivas. O conflito pela hegemonia no Estreito de Ormuz provocou elevação imediata dos preços do petróleo aos patamares mais altos registrados nas últimas quatro semanas.

A sequência de bombardeios representa a terceira noite de operações militares contínuas após o Irã anunciar, no fim de semana, o encerramento da navegação pelo estreito estratégico. A medida provocou resposta agressiva do presidente americano Donald Trump, que restabeleceu o bloqueio comercial ao Irã e propôs a implementação de uma taxa de 20% sobre todas as operações de navegação na região.

Especialistas em relações internacionais apontam que, apesar da escalada de hostilidades, ambos os lados mantêm o conflito dentro de limites controláveis. Yezid Sayigh, pesquisador do Carnegie Middle East Center, avalia que nenhuma das potências tem interesse em retomar uma guerra generalizada. Segundo ele, tanto Trump quanto os líderes iranianos sofreriam consequências políticas significativas por uma escalação não controlada.

O conflito, que ultrapassa quatro meses de duração, gerou impactos consideráveis na economia global. Os preços do combustível nos Estados Unidos aumentaram expressivamente desde o início das hostilidades, questão politicamente sensível em ano de eleições legislativas. Os contratos futuros do petróleo Brent ultrapassaram US$ 86 por barril nesta semana, embora permaneçam inferiores aos picos históricos atingidos anteriormente.

O histórico de escalações remonta a 28 de fevereiro, quando EUA e Israel iniciaram ofensivas contra alvos iranianos. Teerã respondeu com ataques contra Israel e instalações militares americanas nos países do Golfo. As hostilidades reacenderam confrontos entre Israel e grupo Hezbollah no Líbano, resultando em milhares de mortos e milhões de deslocados, concentrados principalmente em território iraniano e libanês.

Negociações entre Israel e Líbano estavam programadas para esta terça em Roma, com foco na retirada de forças israelenses do sul libanês sob mediação americana. O acordo provisório assinado no mês anterior permanece frágil diante da intensificação das operações militares.

O Corpo de Guardas Revolucionários do Irã confirmou ter atingido base aérea americana na Jordânia com mísseis balísticos. As Forças Armadas Jordanianas anunciaram interceptação e destruição de quatro projéteis que penetraram espaço aéreo nacional. O comunicado do IRGC ressaltou não possuir inimizade com a Jordânia, instando o reino a remover as instalações americanas em seu território.

Mídia iraniana reportou ataques americanos contra várias cidades no país, com registro de quatro feridos e operações de resgate em andamento. A escalada demonstra padrão perigoso de represálias mútuas que ameaça expandir-se para dimensões descontroláveis.

A disputa pelo controle do Estreito de Ormuz ganhou novos contornos quando o Irã disparou projétil de advertência contra embarcação que navegava por rota considerada irregular, anunciando fechamento unilateral da via. Trump respondeu declarando na rede Truth Social que o estreito permaneceria aberto, restabelecendo bloqueio comercial e anunciando cobrança de taxa de proteção de 20% sobre carregamentos que transitarem pela região.

O Irã contra-argumentou que Teerã é guardião permanente do estreito e pode cobrar taxas próprias. O ministro das Relações Exteriores iraniano Abbas Araqchi ridicularizou a proposta americana afirmando que 20% seria injusto, prometendo tarifa justa por parte do Irã. Trump escalou o tom afirmando que o Irã seria atingido

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