- Pela Redação
- 29/05/2023
A partir deste sábado, a gasolina comum comercializada no Brasil passa a conter 32% de etanol na composição. A medida foi anunciada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) no mês de julho e já gera preocupação entre motoristas e profissionais do setor automotivo.
Especialistas consultados ressaltam que os veículos mais antigos serão afetados de forma mais significativa e intensa pela mudança. Contudo, é importante destacar que automóveis mais recentes também podem apresentar alguns problemas relacionados ao novo combustível.
O impacto mais imediato na operação dos veículos está relacionado ao aumento do consumo de combustível e à redução da autonomia para carros que utilizam exclusivamente gasolina. De acordo com mecânicos ouvidos, esse aumento no consumo pode chegar a aproximadamente 5%.
Uma questão fundamental mencionada pelos especialistas diz respeito à taxa de compressão dos motores. Motores desenvolvidos para etanol operam com níveis mais altos de compressão, enquanto aqueles projetados para gasolina funcionam com índices menores. Essa diferença afeta significativamente o desempenho do motor quando há maior concentração de etanol no combustível.
Segundo técnicos consultados, em motores com baixa compressão, o combustível entra em combustão, porém o etanol não queima com eficiência ideal. Isso resulta em falhas no funcionamento, perda de potência e dificuldades para dar partida em dias frios.

Carburador: presente apenas em veículos antigos anteriores à disseminação da injeção eletrônica, é o componente que mais preocupa os profissionais. Diferentemente dos sistemas modernos, carburadores não se ajustam automaticamente ao tipo de combustível utilizado, mantendo proporções fixas de ar e combustível. Além de prejudicar o desempenho do motor, o carburador pode sofrer corrosão acelerada com o aumento da concentração de etanol.
Tanque de combustível: especialmente em veículos antigos equipados com tanques metálicos, o aumento de etanol pode necessitar substituição do componente. Tanques de plástico, comuns em modelos fabricados desde o início dos anos 2000, não apresentam a mesma preocupação.
Bomba de combustível: o etanol pode conter até 0,7% de água em sua composição. Quando o veículo permanece parado por longos períodos, o combustível tende a absorver umidade do ar, aumentando significativamente o teor de água na mistura. Essa água acelera o processo de corrosão da bomba de combustível e pode danificar também a boia indicadora do nível.
Bicos injetores: veículos sem turbocompressor sofrem mais com esse tipo de desgaste. O sistema aumenta o tempo de injeção para compensar o menor poder energético do combustível. Se os bicos já apresentam depósitos parciais de sujeira, essa demanda adicional pode amplificar o problema, causando falhas e funcionamento irregular.
Velas de ignição: problemas costumam surgir apenas quando as velas já estão desgastadas. Nesses casos, podem contribuir para falhas na queima do combustível, pois o motor exige regulagem mais precisa da mistura.
Catalisador: sua vida útil pode ser reduzida quando recebe combustível que não foi queimado corretamente, situação que pode ocorrer devido a uma mistura inadequada dentro do motor.
Mangueiras, retentores e vedações: em veículos antigos, esses componentes podem ressecar e se deteriorar mais rapidamente com a exposição ao novo combustível.
Para veículos com injeção eletrônica, existe a possibilidade de atualizar a ECU (módulo de injeção eletrônica) para que o motor se adapte à nova proporção de etanol. Além disso, uma manutenção mais rigorosa dos componentes mencionados pode ajudar a preservar a durabilidade do automóvel.
Nos modelos antigos com carburador, é possível realizar adaptações no componente, embora o processo seja complexo. A dificuldade ocorre porque os giclês (peças de passagem de ar e combustível) precisam ser substituídos e ajustados gradualmente através de testes, já que não existem tabelas padronizadas de aplicação para este tipo de combustível.
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