- Pela Redação
- 29/05/2023
Flávio Bolsonaro passou a usar colete à prova de balas em eventos públicos como medida de segurança, mas o gesto funciona principalmente para evocar a facada que seu pai sofreu em Juiz de Fora. O senador, que se apresenta como uma versão mais equilibrada do antecessor, revela-se apenas uma reprodução imperfeita do original.
Enquanto o pai se batizou nas águas do Rio Jordão em Israel para conquistar votos evangélicos, Flávio compareceu à Marcha para Jesus transformando-a em palanque eleitoral. O evento, que costumava reunir mais de um milhão de participantes, atraiu menos de 40 mil este ano. O eleitorado evangélico demonstra estar atento e não confunde-se facilmente, recusando-se a apoiar candidatos vinculados a tentativas de golpe de Estado.
Durante seu primeiro ano como presidente, Bolsonaro anunciou a mudança da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém buscando agradar Israel, porém nunca concretizou a promessa. Flávio, em contrapartida, dirigiu-se a Jerusalém para rezar no Muro das Lamentações, mas necessitou consultar seu celular para saber o que deveria orar, lendo as sugestões que recebeu na tela.
Bolsonaro almejava uma mulher como vice, mas descartou Janaina Paschoal, docente da Universidade de São Paulo, optando pelo general reformado Hamilton Mourão, a quem posteriormente marginalizaria por temor de ser destituído. Atualmente, Flávio busca uma mulher para sua chapa presidencial. A senadora Tereza Cristina esforça-se para não ser escolhida, enquanto Júlia Zanatta, deputada federal catarinense e fervorosa bolsonarista, almeja ser selecionada para a posição.
No meio do ano anterior, Zanatta participou da mobilização de parlamentares de extrema-direita que buscava impedir a retomada das atividades na Câmara Federal. O objetivo era conseguir votação de projeto que anistiasse amplamente os responsáveis pelos eventos de 8 de janeiro. Naquela ocasião, a congressista registrou vídeo enquanto amamentava sua recém-nascida. Semanas depois, em declarações públicas, queixou-se da inflação elevada que afeta o país, mas incapaz de informar a taxa precisa, precisou consultar o Google para responder.
As mulheres constituem a maioria do eleitorado nacional e foram decisivas para vitória de Lula sobre Bolsonaro em 2022. De acordo com pesquisa recente do instituto Meio Ideia, 47,6% das mulheres pretendem votar em Lula no segundo turno, enquanto 39% apoiam Flávio. Entre os homens, a distribuição é mais equilibrada: 45,3% para Lula contra 44% para Flávio.
Bolsonaro não considerava uma mulher como vice por admiração especial, assim como não o faz agora Flávio. Trata-se de cálculo político e aproveitamento de oportunidades. O ex-presidente encontra-se em seu terceiro casamento, e as mães de seus filhos Flávio, Carlos, Eduardo e Jair Renan revelaram-se infiéis.
Antes de buscar uma companheira de chapa, Flávio necessitaria solidificar sua própria candidatura, que atualmente apresenta fragilidades e enfrenta ameaças crescentes. Poucos eleitores desejam apoiar candidatos sem perspectivas de vitória, ainda menos aceitariam integrar a chapa destes. Nem sequer a vaidade, que a tradição aponta como o pecado predileto do Diabo, justificaria tal escolha.
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