- Pela Redação
- 29/05/2023
A frágil trégua entre Estados Unidos e Irã ruiu em questão de semanas. Um mês após assinarem um Memorando de Entendimento que prometia cessar as hostilidades mediante reabertura do Estreito de Ormuz e alívio de sanções financeiras, os dois países retomaram uma perigosa sequência de ataques militares que marca uma escalação sem precedentes no conflito.
A situação se deteriorou rapidamente na terça-feira (7), quando o Irã lançou mísseis e drones contra três navios-tanque no Estreito de Ormuz. Segundo Teerã, as embarcações navegavam por rota não autorizada próxima a Omã, nação mediadora do conflito. Poucas horas depois, o Comando Central dos EUA retalhou com ataques contra mais de 60 pequenas embarcações da Guarda Revolucionária Islâmica.
A madrugada de quarta-feira (8) trouxe novos disparos iranianos. A Guarda Revolucionária lançou drones contra a Base Aérea Isa, no Bahrein, e instalações militares americanas no Kuwait, afirmando ter atingido 85 alvos em resposta à onda anterior de bombardeios.
Enquanto as operações militares continuavam, o presidente Donald Trump participava da Cúpula da Otan em Ancara. Durante encontros com assessores de alto nível, Trump analisava possíveis respostas aos ataques iranianos. Já na manhã de quarta-feira, o mandatário descartou negociações futuras, afirmando que o memorando de entendimento "acabou" e que "é uma perda de tempo negociar com eles".
O Ministério das Relações Exteriores do Irã rebateu as acusações americanas, divulgando comunicado afirmando que Washington violou o acordo e carrega responsabilidade integral pela escalada das hostilidades. A narrativa de culpa mútua intensifica a polarização entre as potências.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, respalda a posição americana. Antes da cúpula da aliança militar, Rutte declarou aos jornalistas que a ação militar dos EUA era "absolutamente necessária". Simultaneamente, o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, cancelou visita programada a Israel para quarta-feira diante da escalação das tensões.
Os mercados globais rapidamente refletiram a deterioração da situação. Os preços do petróleo dispararam mais de 6%, enquanto bolsas de valores em todo o mundo registraram quedas significativas após a sequência de ataques e as declarações de Trump pela manhã, sinalizando possível prolongamento da crise.
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